quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

E se fosse com você?

Houston, we have a problem!
A frase acima é célebre entre os americanos, pois quando uma missão espacial em andamento tem algum imprevisto negativo, é o sinal de alerta que faz as luzes vermelhas se acenderem, e essa frase tornou-se na cultura americana um sinal de problema em qualquer âmbito. Dada a crise de valores que nossa sociedade atravessa desde tempos imemoriais, dizer que temos um problema, em vez de ser um alerta, já é, infelizmente, uma constatação banal e corriqueira.
Sem querer me alongar muito sobre o tema, gostaria de abordar o tema alteridade. Sim, você leu certo, é alteridade, e não autoridade. Para introduzir melhor o tema, reproduzo aqui um texto de Amilcar del Chiaro Filho:
Construtores de Pontes

“Você sabe o que é um Pontífice? Certamente que sim. Pontífice é o sacerdote de maior hierarquia numa religião. Por exemplo: o Papa é um "pontífice". Contudo, queremos falar sobre o significado desta palavra na Antigüidade. Pontífice era um construtor de pontes.

Como você pode perceber, todos nós podemos ser pontífices, mesmo que não tenhamos a menor idéia de como se constrói uma ponte de madeira, de aço ou de concreto. Podemos construir pontes de relacionamento entre nós e outras pessoas Essa ponte deve partir do nosso coração para os corações das outras pessoas.

Construir pontes é construir relacionamentos, e para que esse relacionamento seja saudável e duradouro temos que respeitar as características da pessoa, ao mesmo tempo em que anulamos ou controlamos alguns dos nossos impulsos menos felizes.”

Mas por que este tema hoje?

Bem, ontem presenciei uma cena lamentável, revoltante até na fila da casa lotérica onde fui apostar na mega sena (vai que eu ganho, né...): Uma senhora, que conduzia uma menina deformada por causa de problemas no parto, havia sido hostilizada (não me pergunte o motivo, pois não saberia responder) por um senhor que lá havia ido pagar umas contas. Após ser atendida, revoltada com a grosseria do mesmo, disse-lhe que aprendesse um pouco de bons costumes, ao qual ele respondeu com um cínico, monstruoso e delituoso "... e você aprenda a fazer filhos perfeitos!"

Era clara a indignação de todos, inclusive a minha, que, se não bastasse a fila enorme após o feriado, tivemos que presenciar tal absurdo. Contive-me para não espancar aquela infeliz criatura que, com tão poucas palavras, além de cometer crime de discriminação contra uma deficiente física, trouxe à luz do dia uma série de preconceitos que infelizmente muitos de nós ainda trazemos entranhados nos recôditos de nossas pesadas consciências.

Enfim, talvez por perceber que se permanecesse ali ele seria linchado ou preso por policiais chamados pela ofendida senhora, evadiu-se, mostrando a todos, consciente ou inconscientemente, que era culpado. Deixando de lado este infeliz exemplo de desrespeito, voltemos ao assunto da alteridade, lembrando que "a semeadura é facultativa, mas a colheita é obrigatória, então, cuidado com as sementes que plantais".

Ok, você deve estar se perguntando o que tem isso tudo a ver com pontes. Acontece que hoje, e infelizmente desde muito tempo, nos ocupamos mais por levantar muros, cavar trincheiras, eletrificar cercas... É 'cada um no seu quadrado', como diz o hit do populacho, e que se danem aquele que estão de fora. Cada um que cuide de sua vida e que se lasquem de alto a baixo aqueles que não compartilham de nossos gostos, de nossas opiniões, de nossa posição social. Onde estão as pontes???

Recordo de um verso de uma canção da banda inglesa Queen: "Oh, how it would be if you were standing in my shoes?" - "ah, e como seria se você estivesse em meu lugar?"

E como seria se você estivesse no lugar de qualquer pessoa a quem você tivesse que dirigir a palavra ou dispensar qualquer tipo de tratamento? Certamente gostaria que te tratassem com mais respeito, mais compreensão, mais benevolência, certo? Então, dê o primeiro passo! Faça ao próximo aquilo que gostaria que te fizessem! Não levante muros, não cave trincheiras, não eletrifique cercas, mas CONSTRUA PONTES!!! Afinal, como diz um preceito místico inca, mitakuye oassim, "somos todos irmãos", consciências encarnadas e desencarnadas, criações de um mesmo Princípio Inteligente ao qual podemos chamar de Deus, Allah, Yaweh, Brahma, Grande Arquiteto do Universo, A Força... Somos todos irmãos, uns mais adiantados na compreensão do mundo e das criaturas, outros menos, mas todos responsáveis por seus pensamentos e atos, cada um de acordo com seu nível de compreensão.

Fica a dica: respire antes de fazer ou dizer qualquer coisa, pois o curtíssimo espaço de tempo que compreende uma inspiração e uma expiração porde ser mais que suficiente para pensar nas consequencias de suas palavras, de seus atos.

Chegará o tempo em que a autoridade dará lugar à alteridade, mas não espere que façam alguma coisa para que isso aconteça: dê o primeiro passo, seja um construtor de pontes!

Em tempo: quando alguém fala, esse alguém é o primeiro a ouvir; o mesmo se dá com quem escreve, sendo o primeiro leitor, logo, quando escrevo algo no blog, escrevo também para mim.

PAZ!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Da Falta de Bom Senso - Parte V - O Carnaval.

“Ói nóis aqui ‘traveiz” para descer o malho na falta de bom senso alheia!

Carnaval... Quando ouço essa palavra, me dá uma vontade extrema de possuir uma máquina do tempo que me permitisse saltar uma semana a partir da quinta-feira. Nessas horas, por ainda estarmos impossibilitados tecnologicamente de realizar tal feito, lamento não ter dinheiro suficiente para me refugiar numa pousadinha esquecida no meio das montanhas, onde sequer fosse possível ligar a TV e ser obrigado, a cada cinco minutos, a ouvir o maldito “E lá vou eu, LÁ-VOU-EU”...

Revolto-me com o DESPERDÍCIO de dinheiro com algo tão inútil como o carnaval. Enquanto “as comunidádi” se rasgam de trabalhar noite adentro para fazer fantasias e enfeitar os carros alegóricos com dinheiro tanto subsidiado pelos governos quanto pelo tráfico e jogo de bicho (que ainda é contravenção penal!), muitas pessoas ainda dormem nas calçadas, muitas crianças ainda passam fome e, outras ainda, estudam em escolas sucateadas, sob a regência de professores pessimamente remunerados. Uma coisa que não consigo aceitar é que se um governante está onde está, sabendo o que sabe, é porque vários professores lhes conduziram a instrução intelectual a tal ponto que adquirissem autonomia para alcançar tais postos de comando. Alguém alegará que se trata de festa popular mundialmente conhecida e que traz turistas ao Brasil. Ok, mas dos turistas que vêem, muitos o fazem com o intuito de realizar o chamado turismo sexual e pior ainda, com intuito de realizar suas perversões pedófilas, pois nessa festa de Momo, meninas desde a mais tenra idade vestem trajes sumários e dançam de forma sensualíssima. Antes o dinheiro fosse empregado para dar maior infra-instrutora às nossas praias que muitas vezes sequer possuem um banheiro público ou ruas que lhes dêem acesso calçadas, o que permitiria uma melhor limpeza.

Entendendo como a coisa funciona, o carnaval surgiu como uma forma de permitir que as pessoas extravasassem seus instintos mais animalescos, mais carnais (daí o nome carnaval) antes de entrar num período de recolhimento espiritual quando da época da quaresma, que são 40 dias antes da festa da Páscoa. Geeeente... quanta hipocrisia!!! Então quer dizer que durante os dias de carnaval o sujeito vai “colocar os bichos (e as bichas, he he) pra fora” e depois vira santo??? Dá licença, viu...

E os aspectos sanitários??? É uma festa que traz implícito o consumo imoderado de bebidas alcoólicas e drogas de toda espécie; não bastasse isso, dementados pelo uso de tais entorpecentes, pessoas (pessoas???) realizam suas necessidades fisiológicas em plena rua, deixando aquele ‘perfume’, além de, é claro, jogarem confetes, serpentinas e aquelas famigeradas espumas em spray. Confetes e serpentinas não raro caem nos bueiros de drenagem da água das chuvas... depois o pessoal reclama que as ruas alagam após qualquer chuvinha... OLHA A FALTA DE BOM SENSO AÍ, GENTE! CHORA CAVACO!

Penso que ainda não fizeram uma estatística sobre os abortos praticados nos meses seguintes ao carnaval - por razões óbvias, pois o aborto na maioria dos casos é um crime – uma vez que envolvidos numa atmosfera de sensualidade e com a razão tolhida pelo uso de tantas substâncias entorpecentes, se praticam atos sexuais sem a devida proteção, o que agrava ainda a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis. E não me venham argumentar que as campanhas para o uso de preservativos preenchem essa lacuna, pois o buraco é muito mais embaixo, uma vez que, como já disse, o uso de entorpecentes tolhe a razão dos foliões.
Quanto ao ambiente vibracional... Lamentável. A irreverência e a sensualidade desmesuradas presentes nos ambientes carnavalescos baixam as vibrações de tal forma que induz os foliões a entrarem em sintonias tão inferiores que fazem uma “lambança espiritual”, atraindo espíritos inferiores da pior espécie, que se ‘alimentam’ de seus excessos, causando viciações ao álcool, entorpecentes e sensualidade irregrada que podem, não raros casos, causar perturbações psíquicas de todas as espécies. Nas zonas espirituais mais inferiores subjacentes à Terra, Calígula se delicia na época do carnaval...

Independente de aprovar ou desaprovar tanta insensatez, doe sangue. Dados os excessos cometidos nesta época, acontecem muitos acidentes de trânsito e muitas vidas deixam de ser salvas por falta de transfusões de sangue. Sendo maior de 18 anos, procure um hemocentro e doe uma pequena parte de si. Só dói uma picadinha da agulha e é feita uma bateria de exames que você recebe em casa algum tempo depois da doação e, caso haja algum problema de saúde detectável, o laboratório avisa por carta ou telefone. Doe sangue, doe vida.

Paz!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Chico Xavier, um homem de bem.

Não tenho postado tanto quanto gostaria, mas a vida segue.



Hoje estive na palestra de abertura da 15ª Semana Espírita de Guarapari, que tem como tema, "Chico Xavier, um homem de bem", lembrando que se ainda estivesse encarnado, ele completaria cem anos neste ano de 2010.



Entre as muitas coisas que o palestrante Izaías Claro (SP) sobre Chico, algo que marcou foi sobre sua humildade. Um médium que psicografa mais de quatrocentos títulos e desconsiderando seu trabalho, ainda que como intermediário, abre mão de direitos autorais pois diz que nada que foi escrito, procede dele e, repassa os ganhos da venda dos livros à caridade, é de uma humildade tocante, mas não mais do que da situação que o Izaías nos contou:

Certa vez, já sem poder andar, sentado em sua cadeira de rodas, recebia a visita de centenas de pessoas que vinham vê-lo, ou por carinho, ou em busca de consolo espiritual. Quando terminou a imensa fila de visitantes, cujas mãos sempre beijava ao fim da curta entrevista, notaram-lhe os lábios sangrando, por causa de tantos ósculos carinhosos. Pergutaram-lhe por que sempre beijava as mãos dos visitantes e ele, sereno como sempre, respondeu: "Porque minha condição física não me permite ajoelhar para beijar os pés".

Numa outra ocasião, ouvi alguém que contava que uma mulher, que se julgava fiel cristã, foi até ele dizendo que tinha a intuição de ter sido uma dos muitos cristãos dados à feras no coliseu romano. Com sua humildade peculiar, disse a ela que se viveu naquela época, foi, certamente, uma pulga que se embrenhava pelos pêlos de um dos leões...

Enfim, é uma pena que não possa ir a todas as palestras, mas certamente irei no seminário sobre Triunfo Pessoal, no sábado.

Tão bom quanto a palestra (onde encontrei muitas pessoas muitíssimo caras a mim), foi, a pós a mesma o tempo que passei com um recente grande amigo, o Mauro. Esperando o ônibus que insistia em não passar, concretizamos a ideia de conversarmos longamente sobre um tanto de coisas, já que nossos diálogos costumam acontecer mais pelo MSN.

A todos, indistintamente, PAZ.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ANGRA Live in Guarapari


Cheguei há pouco do show do ANGRA, a banda de rock que mais gosto. Eles fazem um Melodic Metal de primeira e têm mais fãs na França e no Japão do que no Brasil.

Capa do cd mais recente da banda



Juntando o fato de ser numa noite de domingo e de que em Guarapari não há um publico muito grande pro metal (se fosse pagode, funk ou axé, lotaria...), os cerca de 600 espectadores assistiram a um show com uma banda totalmente refeita dos problemas que tiveram nos últimos dois anos com os empresários.
Ricardo Confessori, baterista da 1ª formação continua excelente na bateria, mas ainda sinto falta do virtuoso Aquiles Priester. A dupla Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro... arrepio só de lembrar aqueles dois "fazendo misérias" com as guitarras. Felipe Andreolli faz de um baixo de seis cordas o que quiser; o jovem baixista que já chegou em 2001 muito bom, mostrando uma grande maturidade musical não nos deixa sentir saudades do incrível Luís Mariutti, componente da 1ª formação da banda que tocou posteriormente no Shaman e hoje toca com o irmão Hugo (também ex-Shaman) na banda Henceforth.
Faltou falar sobre o Edu Falaschi. Quando assisti ao primeiro show da banda no Ginásio do Álvares Cabral em 2004, pensei: "é, o cara canta muito, mas em presença de palco, fica devendo". No segundo show, no mesmo lugar, em 2005, pensei: "é, o cara se acostumou com o público e melhorou no palco"; as interpretações estavam mais à vontade e até teatralizou um pouco na interpretação de algumas músicas. Já em 2009, após mudarem de empresário, no show que fizeram em parceria com o Sepultura, no ginásio Dom Bosco, ele simplesmente descobriu o tom certo pra interpretar, inclusive as músicas da antiga formação, em que 'sofria' um pouco com a comparação com o antigo vocalista, André Mattos (ex Viper, Angra, Shaman e agora em carreira solo), mas resolveu não tentar imitá-lo, mas interpretar com seu próprio timbre de voz. No show deste domingo que acabou de passar, ele simplesmente parecia ter uns 3 metros de altura no palco. A interpretação inusitada de Silence and Distance do segundo álbum da antiga formação da banda foi simplesmente incrível.
Setlist do show numa ordem aproximada:

Unfinished Allegro/ Carry On *
Nova Era
The Course of Nature
Angels Cry *
Waiting Silence
Silence and Distance *
The Voice Commanding You
Carolina IV *
Milleniun Sun
Lisbon*
Rebirth
Nothing to Say *
Acid Rain
Deus Le Volt/Spread Your Fire
As músicas marcadas com * são de álbuns da antiga formação: André Mattos (vocais e piano), Rafael Bittencourt (guitarra base), Kiko Loureiro (guitarra solo), Luís Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria)
Fico na expectativa pra volta deles ao Estado, provavelmente para depois de Maio, quando, segundo rumores, vão lançar um novo álbum.
Paz!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um filme interessante

Após um bom tempo sem sentar na frente de uma tevê para assistir a um filme, tive a grata surpresa de assistir a um filme bem interessante na tarde desta sexta, na Sessão da Tarde da Globo, Virada Radical.

Sinopse:

Haley Graham (Missy Peregrym) é uma ex-ginasta que teve problemas com a lei e, por causa disto, recebeu como pena ter que trabalhar em uma academia de ginastas comandada por Burt Vickerman (Jeff Bridges), um técnico linha-dura. Haley odeia o trabalho, pois faz com que retorne ao mundo de regras rígidas que ela quer esquecer. Porém aos poucos seu amor pelo esporte renasce, fazendo com que ela aprenda lições sobre como fazer as coisas por conta própria.


Fonte: http://www.filmesdecinema.com.br/filme-virada-radical-5164/



Indo além da sinopse, o filme suscita algumas reflexões, como por exemplo, o fato de julgar os atos de alguém, sem conhecer suas motivações ou as circunstâncias que levaram esta ou aquela pessoa a agir de tal forma; como avaliar a performance de uma pessoa isento de interesses, recalques ou frustrações pessoais; a ética (ou a sua falta) de um treinador ou de qualquer lider de qualquer equipe, esportiva ou não. É um filme interessante principalmente para professores de Educação Física, pois, além das questões acima, levanta questões de nossa área que não cabe comentar aqui.


É um filme sobre a vida, sobre quedas e superações que recomendo, e que, se algum dia for professor num curso de formação de professores ou bacharéis de Educação Física, usarei para ilustrar e levantar muitas questões.


Paz!